Ministério da Saúde anunciou novas recomendações para conter a Influenza A (H1N1)
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou na sexta-feira (3/7/2009) novas recomendações a serem seguidas pelos profissionais de saúde e pela população em relação à Influenza A (H1N1). As mudanças têm como objetivo principal garantir atendimento ágil a pacientes com quadro grave nos hospitais de referência e evitar óbitos.
Com o crescimento do número de casos no Brasil, nas últimas semanas, alguns Estados já observam dificuldade de atendimento nesses hospitais devido à alta procura de pessoas com sintomas leves e, muitas vezes, com infecção por outros vírus. Esses casos, que não apresentem complicações, devem buscar um médico de confiança ou um posto de saúde, onde serão orientados, conforme já ocorre com aqueles que têm gripe comum. Os cerca de 68 hospitais de referência que a rede pública possui em todos os Estados do país estão preparados para atender e tratar casos graves.
O ministro voltou a lembrar que 99,6% das pessoas que contraem a nova gripe têm quadro leve e se recuperam rapidamente. A taxa de letalidade dessa doença hoje, no mundo, é de 0,4% — a mesma da gripe sazonal. Ele ressaltou que, até o momento, não há evidências de circulação do vírus no país, uma vez que todos os casos foram infectados no exterior ou de pessoas próximas a elas.
Outra mudança anunciada nesta sexta-feira é que, a partir de agora, só serão submetidas a exames laboratoriais para diagnóstico da H1N1 nos tres laboratórios de referência pessoas vulneráveis e casos graves. Também serão testadas amostras em casos de surtos localizados. Antes da alteração do protocolo, todos os casos suspeitos eram testados em laboratório. Para se ter uma idéia, nesses dois meses desde o início da gripe, cerca de 70% a 75% das amostras coletadas em dois laboratórios de testagem para o vírus — o da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro e o Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo — têm resultado negativo para a nova gripe.
Novas recomendações:
- Ao sentir sintomas de gripe, deve-se procurar o serviço de saúde mais próximo, como já ocorre com o Influenza sazonal.
- Se os sintomas forem leves, o médico fará as recomendações necessárias para isolamento domiciliar, período de afastamento de trabalho e vai prescrever o tratamento dos sintomas. Nesses casos, não será necessário confirmação por exame laboratorial.
- Se o quadro clínico inspirar cuidados ou for grave, indicando necessidade de internação, o paciente será encaminhado para um dos 68 hospitais de referência.
- A confirmação por exame laboratorial se dará apenas em pessoas vulneráveis, casos graves ou em amostras (no caso de surtos localizados).
- Para promover o uso racional do antiviral e evitar possível resistência ao medicamento, ele será administrado somente aos pacientes com agravamento do estado de saúde nas primeiras 48 horas desde o início dos sintomas ou às pessoas que têm maior risco de apresentar quadro clínico grave, de acordo com avaliação médica. Alguns países, como a Dinamarca, Japão e Hong Kong já demonstraram resistência aos medicamentos. Isso é mais uma prova de que o uso desnecessário e a automedicação podem gerar resistência ao vírus.
- Todas as estratégias de vigilância realizadas nas fronteiras continuam e se mantém nos portos, estradas e aeroportos.
O critério para receber o medicamento fosfato de oseltamivir sofreu alteração. Para promover o uso racional do antiviral e evitar que o vírus desenvolva resistência, o medicamento só será dado aos pacientes com agravamento do estado de saúde nas primeiras 48 horas desde o início dos sintomas. Vale destacar que três países já informaram à OMS casos de resistência ao medicamento (Dinamarca, Japão e Hong Kong), o que reforça a prudência da medida adotada pelo Ministério da Saúde.
É importante lembrar, também, que todos os indivíduos que compõem o grupo de risco para complicações de influenza requerem – obrigatoriamente – avaliação e monitoramento clínico constante de seu médico, para indicação ou não de tratamento com oseltamivir; além da adoção de todas as demais medidas terapêuticas. Esse grupo de risco é composto por: idosos acima de 60 anos, crianças menores de dois anos, gestantes, pessoas com deficiência imunológica (pacientes com câncer, em tratamento para aids ou em uso regular de corticosteróides), hemoglobinopatias (doenças provocadas por alterações da hemoglobina, como a anemia falciforme), diabetes, doença cardíaca, pulmonar ou renal crônica.
O LABConsult considera que agora, mais do que antes, é necessário que os laboratórios clínicos de rotina estejam preparados para apoiar a equipe de saúde no diagnóstico de infecção por influenza e disponibiliza o documento “Diretrizes para a abordagem laboratorial da Influenza (Gripe)”. Esse documento contém Diretrizes para a abordagem laboratorial da Influenza (Gripe), incluindo a SARS ou Pneumonia Asiática ou Gripe Aviária e a Gripe Suína (A H1N1).