“Gripe Suína” (Influenza Suína) – Informe do Ministério da Saúde em 25 de abril de 2009
I. Antecedentes
A Influenza suína é uma doença respiratória causada pelo vírus tipo A que normalmente causa surtos de gripe entre os suínos. Em geral este vírus não infecta o homem, no entanto, existem registros de transmissão pontual do vírus para os seres humanos. Segundo informações da OMS (www.who.int), as autoridades sanitárias do México (www.salud.gob.mx) e dos Estados Unidos (www.cdc.gov) notificaram casos de síndrome gripal e pneumonia em humanos. Entre as amostras analisadas foi identificada uma nova seqüência genética do vírus de influenza suína (A/California/04/2009 -A/H1N1).
II. Situação nos países afetados
A. Estados Unidos da América (EUA):
1. Situação Epidemiológica na Califórnia e Texas
O Governo dos Estados Unidos notificou à OMS oito casos humanos de Influenza Suína (A/California/04/2009 –A/H1N1) confirmados por diagnóstico laboratorial, sendo seis na Califórnia (San Diego e Imperial) e dois no Texas (San Antonio), além de mais nove casos suspeitos. Todos os oito casos confirmados apresentaram síndrome gripal moderada (Influenza¬like Illness – ILI). Apenas um foi hospitalizado e não ocorreram óbitos. Não houve contato com suínos.
2. Ações realizadas na Califórnia e Texas
O Centro de Controle de Doenças dos EUA (CDC/EUA) está trabalhando com agências locais e estaduais de saúde para investigar os casos notificados. Foi determinado que este vírus é contagioso e se dissemina entre humanos. Entretanto, até o momento, não está determinado a eficiência dessa transmissão.
B. México:
1. Situação Epidemiológica no México
Foram confirmados 18 casos humanos de influenza suína (A/California/04/2009 – A/H1N1) conforme diagnóstico realizado pelo laboratório do Canadá. As cepas são geneticamente idênticas às registradas na Califórnia/EUA. A maioria dos casos ocorreu em adultos jovens previamente saudáveis (25 a 44 anos), apresentando provável alteração no padrão da influenza que normalmente afeta crianças e idosos, que não foram fortemente afetados neste evento.
Além disso, atualmente o México sofre um pico epidêmico tardio de influenza sazonal que começou no inicio de março.
Foram notificados à OMS eventos nas seguintes regiões:
- Distrito Federal: a vigilância intensificou a busca de casos de síndrome gripal a partir de 18 de março. O número de casos aumentou progressivamente no decorrer do mês de abril, e atualmente há mais de 850 casos de pneumonia com 59 óbitos. Destaca-se ainda a ocorrência de casos de pneumonia entre profissionais de saúde.
- San Luis Potosi/México central: foram notificados 24 casos de síndrome gripal, com três mortes.
- Mexicali, fronteira com os Estados Unidos: mais quatro casos de pneumonia foram notificados sem registro de mortes.
- Oaxaca, sul do México: Houve ainda relato de um caso, com evolução para óbito.
Estes eventos estão sendo investigados para determinar a fonte da infecção e estabelecer possível vínculo com os casos de influenza suína por H1N1.
2. Ações realizadas no México
- Suspensão de aulas
- Cancelamento de eventos públicos para os próximos 10 dias
III. Definição de caso suspeito
- Apresentar febre alta de maneira repentina, superior a 39ºC, acompanhada de um ou mais dos seguintes sintomas: tosse, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações E
- Ter como procedência o México (qualquer Estado) ou os Estados Unidos da América (Estados da Califórnia e Texas), nos últimos 10 dias.
IV. Medidas e recomendações do Ministério da Saúde do Brasil
1. Informações gerais
O Ministério da Saúde informa que não há evidencias da circulação do vírus da influenza suína no Brasil, nem em humanos, nem em animais. O país conta com uma rede de vigilância para monitorar a circulação das cepas de vírus respiratórios, além de um plano de preparação para o enfrentamento de uma possível pandemia de influenza (ver link abaixo).
O país possui 19 Centros de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde (Rede CIEVS) em atividade para apoiar os serviços de vigilância em saúde e unidades de atenção no enfrentamento de emergências em Saúde Publica.
Os aeroportos e portos intensificaram a vigilância de casos suspeitos e a orientação aos viajantes procedentes ou com destino às áreas afetadas.
As vacinas atualmente disponíveis não oferecem proteção contra infecção deste vírus, portanto, até o momento. Não há indicação de uso da vacina contra influenza como medida de prevenção e controle para este evento.
Todas as Secretarias Estaduais de Saúde foram acionadas para intensificar o processo de monitoramento e detecção oportuna de casos suspeitos de doenças respiratórias agudas, a partir da rede de vigilância de influenza e de laboratórios.
Não há risco de adoecer devido a ingestão de carne suína e derivados.
Atualizações sobre a presente ocorrência serão divulgadas periodicamente no site da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde e da ANVISA (ver links abaixo).
2. Recomendações:
a) Aos viajantes que se destinam às áreas afetadas no México e EUA:
- Evitar locais com aglomeração de pessoas.
- Evitar o contato direto com pessoas doentes.
- Não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal.
- Evitar tocar olhos, nariz ou boca.
- Cobrir o nariz e a boca com um lenço quando tossir ou espirrar.
- Lavar as mãos freqüentemente com sabão e água, especialmente depois de tossir ou espirrar.
- Em caso de adoecimento, procurar assistência médica e informar história de contato com doentes e viagens (deslocamento).
- Não usar medicamentos sem orientação médica.
b) Aos viajantes que procedem das áreas afetadas no México e EUA:
Viajantes procedentes, nos últimos 10 dias, do México ou das áreas afetadas dos Estados Unidos da América e que apresentem o seguinte quadro clínico: febre alta repentina, superior a 39ºC, acompanhada de tosse e/ou dores de cabeça, musculares e nas articulações, devem:
- Procurar assistência médica na unidade de saúde mais próxima.
- Informar ao profissional de saúde o seu roteiro de viagem.
c) Aos serviços de saúde:
- Este evento é considerado uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, de acordo com o Regulamento Sanitário Internacional (2005).
- Uma vez atendida a definição de caso encaminhar para o hospital de referência (veja link abaixo) para manejo clínico e coleta de amostra, conforme estabelecido no “Plano de preparação para enfrentamento da pandemia”.
- Notificar imediatamente os casos suspeitos (conforme Portaria SVS/MS ¬No.05/2006) à Secretaria de Saúde Municipal e/ou Estadual ou pelo e-mail: notifica@saude.gov.br ou site da Secretaria de Vigilância em Saúde.
- Realizar busca ativa de contatos dos casos que atendem a definição de casos
- Intensificar as ações de vigilância conforme preconizado no “Plano de preparação para enfrentamento da pandemia” (veja link abaixo). De acordo com a OMS, o nível de alerta está mantido na fase 3.
d) Aos portos, aeroportos e fronteiras (PAF):
Recomendações adicionais para portos, aeroportos e fronteiras estão disponíveis no site da ANVISA (Ver link abaixo)