As infecções pós-cirúrgicas por Micobactérias de Crescimento Rápido continuam ocorrendo
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou no dia 08 de agosto de 2008 Nota Técnica sobre infecções pós-cirúrgicas por Micobactérias de Crescimento Rápido (MCR) em diferentes regiões do país. O documento contém o histórico de ocorrências das infecções, as ações desenvolvidas pela Anvisa e recomendações de medidas para contenção dos casos. Uma das medidas em estudo é regulamentar o número de equipamentos necessários, por tipo e número de procedimentos por dia, para adoção pelos serviços de saúde. As ações citadas serão desenvolvidas porque as infecções por MCR estão fortemente relacionadas às falhas nos processos de limpeza, desinfecção e esterilização de produtos médicos. Na maioria dos serviços de saúde investigados, os instrumentais cirúrgicos foram submetidos somente ao processo de desinfecção, e não à esterilização, como determina a Resolução RE nº 2606/06. A imprensa leiga também vem dando destaque às ocorrências, especialmente à recente proibição de lipoaspirações no Estado do Espírito Santo.
Estamos diante de uma situação nova para os profissionais da saúde em todo o mundo. As infecções por micobactérias, na proporção como as alcançadas no Brasil, não têm registro aqui e nem em outros paises, se configurando epidemiologicamente uma doença emergente. Diante da grave situação identificada em quase todos os estados do país, em relação especificamente às infecções pela M. massiliense possivelmente resistente ao glutaraldeído, é necessário o monitoramento e o acompanhamento sistemático, junto aos serviços de saúde quanto à realização dos procedimentos adequados de limpeza e esterilização dos equipamentos e ou artigos, que possam ser reutilizados, de acordo com as normas em vigor. Outras medidas precisam ser realizadas para a identificação da fonte de infecção e assim rever as recomendações das medidas de controle do surto, pois foram identificados novos casos de infecção em 2008, nos estados do ES, RJ, PA, MG e RS, apesar de todos os esforços que vêm sendo empreendidos.