Correm boatos contrários à vacinação contra H1N1, pois a vacina não seria segura. A imprensa se alimenta de polêmicas, e onde há desinformação, há insegurança. Há dúvidas sobre se alguma das vacinas conteria vírus atenuado, quais conteriam adjuvantes e quais poderiam ser aplicadas em gestantes, por exemplo. O LABConsult, igualmente, tem recebido questionamentos sobre a segurança da vacina para os profissionais de laboratório.
Vamos às palavras do imunologista Alberto Chebabo (HUCFF/URRJ): “O Ministério da Saúde deveria munir todos os profissionais de mais informações sobre as vacinas aplicadas na campanha. Infelizmente não é esta a realidade. Apesar disto, estas informações estão disponíveis a nós, profissionais de saúde, nas publicações científicas. Todas as vacinas diponibilizadas pelo Ministério da Saúde são comercializadas em outros países. A vacina da Sanofi Pasteur tem liberação nos EUA e Europa para vacinação em menores de 18 anos. Acredito que o problema está na bula brasileira, na forma como foi solicitado o registro na ANVISA. Em relação às questões de segurança, fiz uma busca grande na internet e não encontrei nem no Sistema de Vigilância Europeu (EMEA), americano (VAERS-CDC), nem em outros países (França, Espanha) relatos de aumento de eventos adversos graves relacionados à vacina. É óbvio que casos de Síndrome de Guillhain Barré (SGB) foram reportados, mas não houve aumento da taxa de casos esperados que sempre ocorrem. É importante ressaltar que semanalmente nos EUA ocorrem entre 80-160 casos de SGB. Até 22/01/2010, foram relatados 61 casos de SGB após vacinação, o que mostra que não houve aumento do número de casos. Obviamente, estes casos estão sendo estudados para verificar se realmente tem relação com alguma vacina. Alguém sabe quantos casos de Guilhain Barré no Brasil? Eu sei que mais de 2000 pessoas morreram de gripe no Brasil no ano passado (dados do Ministério da Saúde) e 2804 pessoas morreram nos EUA até 07/03/2010. Vale lembrar que 30% dos que morreram não tinham comorbidades ou qualquer fator de risco para complicação da Gripe. Acho que é nosso papel como profissionais de saúde e, principalmente dos Infectologistas, que este esclarecimento seja feito à população.”
Como profissionais da saúde, devemos procurar conhecer e, na ausência de evidências científicas contrárias, apoiar as orientações do Ministério da Saúde do país. Os profissionais da saúde que atuam em guichês e na coleta do laboratório, por exemplo, são suscetíveis por terem mais contato com pacientes. Veja o link http://portal.saude.gov.br/portal/saude/area.cfm?id_area=1616, e aproveite para clicar em ‘Perguntas e respostas”. Contudo, devidamente esclarecidos, cada um de nós, individualmente, pode optar por se vacinar ou não, pesando os riscos e os benefícios.