Relatório divulgado pela ONU e OMS no dia 24 de novembro de 2009, mostra que a infecção por HIV em todo mundo reduziu-se em 17% desde 2001. Segundo o documento, esse dado mostra que as ações de combate e prevenção contra a aids têm surtido efeito. "No entanto, também mostra que os programas estão aquém do desejado. Para salvar mais vidas é preciso destinar mais recursos e incentivar a prevenção onde a doença ainda causa grande impacto", disse Michel Sidibé, diretor executivo do Unaids, órgão da ONU para HIV/Aids.
Atualmente, existem 33,4 milhões de pessoas em todo o mundo com HIV. O número das que estão conseguindo viver com a doença aumentou devido aos bons resultados da terapia antirretroviral. O total de mortes por aids registradas diminuiu em 10% nos últimos cinco anos porque o tratamento está disponível para um número maior de indivíduos. "Aumentaram os investimentos internacionais e nacionais no combate ao HIV. Não podemos diminuir os esforços. É preciso redobrá-los para tentar salvar mais vidas", alertou a diretora geral da OMS, Margaret Chan.
A terapia antirretroviral tem se refletido na prevenção de novas infecções em crianças cujas mães têm HIV. O relatório mostra que, desde 2001, foram evitadas cerca de 200 mil novas infecções. Segundo o documento, os resultados da prevenção e combate à aids são mais eficientes quando essas ações estão integradas a outros programas de saúde e bem-estar social para a população.
O relatório também aponta mudanças nas formas de transmissão da doença em diferentes regiões do mundo. Na Europa Oriental e na Ásia Central, por exemplo, a principal forma de contágio ocorria entre usuários de drogas injetáveis que compartilhavam seringas. Agora, ela acontece pela troca de parceiros sexuais entre esses usuários e afeta também casais heterossexuais.
Um ponto negativo é que alguns países diminuíram o total de recursos investidos na prevenção da aids. Na Suazilândia (África), por exemplo, apenas 17% dos recursos que o país destina à doença foram gastos em programas de prevenção, apesar da prevalência de aids ser de 26%. Em Gana, o orçamento recebeu um corte de 43% em 2007, comparado a 2005.
Os grandes centros urbanos do Brasil – onde estão concentrados 52% dos casos de aids – registraram queda de 15% na taxa de incidência da doença entre 1997 e 2007. Nesse mesmo período, a incidência nos municípios com menos de 50 mil habitantes dobrou, revelando que a epidemia caminhou para o interior do país. Em 1997, a taxa nas cidades com menos de 50 mil habitantes era cerca de oito vezes menor do que a registrada nas cidades com mais de 500 mil pessoas. Em 2007, essa relação caiu para três vezes.
A análise foi realizada pelo Ministério da Saúde, que elaborou um panorama detalhado dos casos de aids nos 4.867 municípios brasileiros onde já foi notificada, pelo menos, uma ocorrência da doença. O perfil da epidemia está no Boletim Epidemiológico Aids/DST 2009.