Resumo da Conferência Magna “Integrated Diagnostics Emerges as a Key Element in Healthcare”, proferida durante o 42º. Congresso da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial; SBPC/ML) no dia 03 de Julho de 2008, em São Paulo, Brasil. A Conferência Magna abordou o desenvolvimento de centros de diagnóstico integrado (CDIs), os quais, o autor acredita, desempenharão um importante papel no futuro dos serviços de assistência à saúde.
“O campo do diagnóstico, contemplando no seu âmago o diagnóstico molecular e os métodos de imagem, está passando por uma explosão do conhecimento, o qual propicia o potencial de diagnosticar doenças ainda em estágio pré-clínico e pré-sintomático, antes que qualquer manifestação física esteja presente. Esta nova abordagem dos cuidados à saúde poderá se constituir em uma ruptura para os médicos que tenham sido treinados unicamente para suspeitarem de doenças com base na história clínica e no exame físico. Esta nova perspectiva para o diagnóstico de doenças gera a necessidade da criação de “Centros de Diagnóstico Integrado” (CDIs), onde atuem anátomo-patologistas, patologistas clínicos e radiologistas. O paciente será referenciado a um CDI por seu médico de família, e os médicos do centro poderão assumir integralmente a responsabilidade pelo diagnóstico da condição do paciente, pela avaliação do prognóstico da doença e ainda por formular recomendações terapêuticas. Este conceito não é novidade no Brasil, pois vem sendo praticado por alguns centros médicos.
Para que o conceito de CDI cresça em aceitação no futuro, há necessidade de mudanças na formação e no treinamento dos médicos especialistas envolvidos (anátomo-patologistas, patologistas clínicos e radiologistas). Em primeiro lugar, as observações do aspecto morfológico dos tecidos acometidos e os achados laboratoriais devem ser harmonizados de maneira a oferecer conclusões integradas sobre a fisiopatologia global da doença (veja também Integration of Anatomic and Clinical Pathology). Na continuidade deste processo, as especialidades de Medicina Laboratorial e de Anatomia Patológica precisariam se fundir para dar surgimento à nova e integrada especialidade de Medicina Diagnóstica. Finalmente, seria necessário proceder à realocação dos fundos financiadores da saúde, deslocando-os do “compartimento terapêutico” para o “compartimento diagnóstico”. Esta realocação pode ser alcançada uma vez que haja mais evidências de que se pode aumentar a eficácia dos tratamentos existentes por meio do uso de ferramentas de diagnóstico. Já é sabido que um percentual substancial dos tratamentos medicamentosos, especialmente no campo da oncologia, apresenta poucos efeitos, portanto os executivos das prestadoras e os governantes ficarão felizes em realocar recursos para diagnósticos que possam possibilitar economia global de recursos, por meio da redução dos custos com o uso de medicamentos ineficazes e com o tratamento dos efeitos colaterais desnecessários que podem gerar.
(Post original de Bruce Friedman, em 12 de Junho de 2008 às 07:57 AM em: Clinical Lab Industry News, Clinical Lab Testing, Healthcare Solutions Other than Lab, Hospitals and Healthcare Delivery, Imaging Other Than Pathology | Permalink - Postado no LABConsult em 17/07/2008) |