É com prazer que anuncio que o Dr. Jason Hwang aceitou pronunciar uma conferência no próximo Lab Info Tech Summit, o qual será realizado em Las Vegas entre 16 e 19 de Março de 2009. Juntamente com Clayton Christensen, ele é co-autor do livro “Inovação na Gestão da Saúde – A receita para reduzir custos e aumentar qualidade (The Innovator's Prescription: A Disruptive Solution for Health Care), o qual discute a inovação disruptiva em relação ao segmento da saúde. O livro foi publicado nos Estados Unidos em Outubro de 2008 (Nota: Já está publicado no Brasil pela Editora Bookman/Artmed). Cem cópias do livro serão distribuídas aos primeiros inscritos na Conferência.
Para lançarmos a discussão sobre a inovação disruptiva, aqui vão duas breves citações da Wikipedia que definem o termo:
"Uma tecnologia ou inovação disruptiva é usada para descrever uma inovação tecnológica, produto ou serviço que utiliza uma estratégia “disruptiva”, mais do que uma estratégia “revolucionária” ou “sustentável”, de forma a suplantar uma tecnologia dominante existente ou o produtos considerados padrão pelo mercado...Christensen prefere o termo inovação disruptiva ao termo tecnologia disruptiva por reconhecer que poucas tecnologias são intrinsecamente disruptivas ou sustentáveis em si mesmas. É a estratégia ou modelo de negócio que a tecnologia em questão possibilita que cria o impacto disruptivo.
Uma nova ruptura do mercado ocorre quando o produto atende a um segmento novo ou emergente que não está sendo atendido pelos fornecedores existentes."
Eu já postei várias notas anteriores sobre o Modelo Preditivo de Saúde (early health model - EHM), definido como o diagnóstico de doenças em sua fase pré-clínica, pré-sintomática, o qual, ao meu ver, se constitui em um exemplo de inovação disruptiva. Eu apresentei ao Jason uma questão: Qual a extensão na qual a Modelo Preditivo De Saúde seria disruptivo para os vários participantes do sistema de saúde. Eis a resposta:
Um dos testes-chave para se avaliar se alguma coisa é disruptiva é perguntar se ela serve aos interesses dos consumidores atualmente mais favorecidos pela indústria, ou, inversamente, se serve a um mercado que venha sendo desprestigiado ou ignorado. Obviamente, o sistema de saúde é um tanto mais complexo, sendo o termo “consumidores” não tão claramente definido. Contudo, eu consideraria o seguinte sobre o Modelo Preditivo de Saúde:
• Modelo Preditivo de Saúde é quase certamente disruptivo para os médicos e os hospitais, por que eles tem pouco ou nada a ganhar (e quase certamente perderão renda) ao diagnosticarem doenças ainda sem sintomas. Mais ainda, eles perderão se o Modelo Preditivo de Saúde implicar em que alguém com menos habilidades e treinamento, especialmente o próprio paciente, possa realizar algumas tarefas referentes ao diagnóstico. Aí esse modelo se torna claramente disruptivo.
• A resposta não é tão simples para as seguradoras. Eu acredito que a maioria delas diria preferir pagar por cuidados preditivos, pré-sintomáticos, e preventivos, o que dificulta considerar que sofreriam disruptura. Eu não estou convencido de que o modelo de negócio que elas praticam atualmente as impediria de pagar por esse modelo de cuidado da saúde, mas temos que considerar que isso poderia alienar a sua atual rede de prestadores. Minha melhor previsão é que será necessária a entrada de uma nova seguradora cujo negócio principal seja promover a saúde e os cuidados preditivos por meio da poupança-saúde, combinada a um provedor mais tradicional para os cuidados às situações agudas e crônicas, remunerados por meio do uso dos tradicionais seguros de sinistralidade.
• A indústria farmacêutica e outros fornecedores naturalmente teriam objeções, uma vez que a nova prática reduz as suas oportunidades de venderem seus serviços em médio prazo, de maneira bastante semelhante ao que ocorre com os prestadores. As margens de lucro também seriam previsivelmente menores na faixa de cuidados preventivos, o que tornaria difícil a adaptação do modelo de negócio que praticam. Não é nem preciso dizer, ela poderia ser a indústria que estaria sofrendo a disruptura.
• Finalmente, os novos mercados que se abririam beneficiariam primariamente os pacientes e compradores. Contudo, os primeiros segmentos consumidores seriam aqueles que tem incentivo para buscar atenção preditiva, como os pacientes particulares, os empregados que bancam o próprio plano de saúde e os pacientes mais educados e proativos. Da perspectiva deles, eu concordaria que se trata de um novo mercado disruptivo, uma vez que para eles não há uma alternativa melhor.
Postado por Bruce Friedman em 23 de julho de 2008 às 07:00em Clinical Lab Industry News, Clinical Lab Testing, Hospitals and Healthcare Delivery, Lab Information Products, Lab Processes and Procedures, Laboratory Industry Trends | Permalink |